Numa suposta reacção a uma suposta proposta de saída do euro, supostamente defendida pelo conselheiro de estado Vítor Bento, supostamente defendida por Cavaco Silva, Francisco Louçã vem-nos elencar os supostos efeitos que tal proposta de saída de Portugal do euro acarretaria e lançar a ideia de que, supostamente, tal ideia agradaria a uns supostos “nacionalistas” onde, supostamente, se incluíram o PCTP/MRPP.
Francisco Louçã já nos habituou e brindou com todo um conjunto de textos, propostas e acções que consubstanciam aquilo que sempre denunciámos: que ele próprio e o seu oportunista partido/bloco lutam com grande denodo para serem reconhecidos como “consultores” privilegiados do sistema capitalista, dando-lhes, amiúde, dicas de como devem gerir o seu sistema de forma a ter um rosto mais “decente” e “humano”. Esse empenho vai agora ao limite de defenderem com unhas e dentes esse instrumento da dominação germano-imperialista que é o marco travestido de euro.
No seu texto «Vítor Bento, os novos e velhos nacionalistas e a salvação da pátria com a saída do euro», Francisco Louçã, de forma deslumbrada e sem rebuços, vem-nos fazer, portanto, a elegia da “necessidade” da manutenção desse instrumento de dominação germano-imperialista que é o euro.
E, tentando, como lhe é hábito, confundir as mentes dos mais incautos, confundindo o fundo com a forma, coloca no mesmo saco, apodando-os de nacionalistas, todos quantos, pelo menos supostamente, defendem ou a saída do euro – com a consequente retoma do escudo – ou, pelo menos, a discussão dessa possibilidade e, sobretudo, a vontade e a possibilidade políticas de alterar as condições de adesão ao espaço e à moeda europeia.
E, utilizando o mesmo tipo de argumentação terrorista que Ângela Merkel , Sarkozy, a tróica e o governo vende pátrias PSD/CDS utilizam para tentar induzir o medo e a paralisia aos trabalhadores e ao povo português, vomita considerações sobre o anátema, o caos e a desgraça que sobre eles recairia se essa saída do euro, e da União Europeia, viesse a ocorrer.
Se é certo que Vítor Bento está, até por inerência do cargo que ocupa, ao serviço de Ângela Merkel, não menos certo é que, também Francisco Louçã e o seu partido/bloco o está, na exacta medida em que defende, com unhas e dentes, o “sacrossanto” euro, precisamente aquele que é o instrumento de excelência que permite a Ângela Merkel e ao imperialismo germânico prosseguir a sua estratégia de dominação da Europa.
Quando a burguesia e os seus serventuários – Francisco Louçã e seu partido/bloco incluídos – tanto se empenham em fazer passar a ideia de que a saída de Portugal do euro faria o país regredir à “idade das trevas” e ao caos, o que se está a escamotear é que, de facto, o que está a fazer regredir Portugal aos mais sombrios tempos do fascismo e do salazarismo, são as medidas terroristas que o governo de traição PSD/CDS, a mando da tróica germano-imperialista, estão a impor aos trabalhadores e ao povo português.
O que se está a escamotear é que a dívida que querem obrigar o povo a pagar, não tendo sido ele responsável ou beneficiário dela, é uma fraude.
Francisco Louçã esteve presente, tal como nós, na Convenção de Lisboa da Auditoria Cidadã à Dívida e nada aprendeu, ou não quis. Ficou claro na intervenção dos vários oradores internacionais convidados, com larga experiência em Auditorias Cidadãs que integraram e integram por esse mundo fora (Argentina, Equador, Grécia, Brasil, etc.), menos para Louçã, pelos vistos, que a dívida é um instrumento utilizado pelo sistema capitalista para transferir recursos e activos públicos para as mãos de privados (hoje mesmo um desses activos está a ser privatizado – a EDP).
Ficou claro, menos para Louçã pelos vistos, que, também noutros países a ameaça do caos que o não pagamento da dívida ou o abandono da paridade da moeda em relação ao dólar, acarretariam, não teve correspondência com a realidade que se seguiu.
Bem pelo contrário. Exemplos como os da Argentina, Equador e Islândia, que a “comunicação social” nas mãos dos capitalistas tão laboriosamente silenciam, são disso uma “prova de vida”, incontestável e incontornável. Com a sua “ousadia” de dizerem não ao FMI, estes países assinalam hoje um forte crescimento do PIB e, sobretudo, conseguiram assegurar melhorias significativas na distribuição da riqueza e na prossecução de políticas sociais.
Neste contexto, a permanência do nosso país, quer na União Europeia, quer na chamada zona euro, só poderá ser colocada se os termos dessa adesão cumprissem – e não cumpriram – o respeito pelos princípios da reciprocidade de interesses entre os seus membros e estivessem asseguradas – que não estão – vantagens mútuas que permitissem maior qualidade de vida para os trabalhadores e o povo português – o que não está a conferir, bem pelo contrário – e respeitassem a nossa soberania nacional – que há muito está comprometida.
Claro está que Francisco Louçã e o seu oportunista partido/bloco não podem, nem querem, compreender isto. Em vez de se juntar àqueles que defendem a suspensão do pagamento da dívida e a revogação das medidas terroristas que este governo está a aplicar sobre o povo até que uma Auditoria Cidadã Independente faça o seu trabalho e demonstre, como esperamos, que esta dívida, além de IMPAGÁVEL, é ilegítima, ilegal e odiosa, Louçã e o seu partido/bloco persistem na estratégia oportunista de considerar que existe uma parte legítima dessa dívida – e essa deve ser paga, desde que “reestruturada” e “renegociada” – e uma parte ilegítima.
E não pode porque não compreende, ou finge não compreender, que foi o marco, travestido de euro, que, ao serviço dos interesses germano-imperialistas, criou as condições para o surgimento da dívida e fez dela um instrumento de dominação da Europa por parte do eixo Bona/Paris. A dívida, no conjunto do espaço europeu já atingiu os 100% da soma do PIB de todos os países que integram esse espaço. O que, em articulação com uma política de destruição do tecido produtivo da maior parte desses países, significa que, não tendo a Alemanha destruído a sua capacidade produtiva – antes pelo contrário – o estado de dependência e perda de soberania face ao imperialismo germânico é cada vez maior.
O que Louçã não compreendeu, ou finge não compreender, é que a condição para recusarmos o pagamento de uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa, e as medidas terroristas que estão a ser impostas ao povo com vista a obrigá-lo a pagar uma dívida que não contraiu, nem foi contraída para seu benefício, a condição para o eventual abandono de Portugal, quer da União Europeia, quer do euro, tem de passar pelo derrube do governo de traição PSD/CDS, serventuário da tróica germano-imperialista e a consequente constituição de um Governo de Esquerda Democrático Patriótico que possa levar a cabo um novo paradigma de economia e política.
Um governo apostado, desde logo, no confisco das grandes fortunas e em implementar as medidas necessárias ao impedir de fugas de capitais. Um governo que nacionalizasse de imediato a banca e todos os sectores e empresas estratégicas, colocando-as sob a direcção dos trabalhadores. Um governo que implementasse um plano rigoroso e criterioso de investimentos produtivos e recuperasse o tecido produtivo destruído por sucessivos governos do PS e do PSD, por vezes acolitados pelo CDS/PP, que levaram à destruição da nossa agricultura, das nossas pescas e da nossa industria (siderurgia, industria naval, metalurgia/metalomecânica, minas, etc.).
Um governo que aproveitasse a nossa posição geoestratégica única, criando e modernizando uma rede de portos atlânticos, onde pontifica um dos portos de águas profundas mais importante do continente europeu – o porto de Sines – que, combinado com uma rede ferroviária de altas prestações, fizesse de Portugal o porto de entrada e de saída de mercadorias da Europa. Em 2014, quando o Canal do Panamá tiver concluído as obras que permitirão o trânsito dos chamados super porta contentores, o fluxo de mercadorias do continente asiático e americano para a Europa, encontrará como primeiro porto do outro lado do atlântico, o porto de Sines!
Esta é a única saída que garantirá aos trabalhadores e ao povo português que as lutas para as quais estão a ser mobilizados valem a pena serem travadas. Esta é a única saída revolucionária para resolver a favor da classe operária e dos trabalhadores a contradição antagónica que a opõe à burguesia, ao capitalismo e ao imperialismo: a contradição entre a natureza social do trabalho e a apropriação privada da riqueza gerada por ele.


0 comentários:
Enviar um comentário