“Não haverá movimento revolucionário, sem ideologia revolucionária” - Lenine

“Sem ideologia revolucionária, não há movimento revolucionário” - Lenine

Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012

Cavaco Silva: Mais um que os trabalhadores terão de apear em 2012!


Para quem, apesar de este não ter utilizado a prerrogativa que a constituição lhe confere de submeter ao Tribunal Constitucional a apreciação do Orçamento de Estado para 2012, para verificação da inconstitucionalidade de grande parte do seu articulado e objectivos programáticos, considerava Cavaco Silva um “garante” na contenção do fervor terrorista e fascista com que o governo de traição PSD/CDS quer impor medidas que agravarão em 2012, ainda mais, as condições de vida dos trabalhadores e do povo português, perdeu qualquer réstia de ilusão com algumas das “tiradas” do seu discurso de Ano Novo.

Avisou o presidente da república que “sem uma agenda para o crescimento e o emprego…a situação poderá tornar-se insustentável e não será possível recuperar a confiança e a credibilidade externa do país”.

Ele sabe que a Greve Geral Nacional de 24 de Novembro de 2011 – que teve a participação de mais de 3 milhões de trabalhadores e esfrangalhou a “legitimidade eleitoral” do governo PSD/CDS -, que a correcta posição da CGTP, na pessoa do seu Secretário-Geral Carvalho da Silva, que, apodando de farsa a reunião da “concertação social” e de farsante o ministro Alvarinho, abandonou essa dita reunião, onde o ministro tentava impor a legislação sobre o TRABALHO ESCRAVO – com o aumento da carga horária/diária de meia hora, ou de duas horas e meia semanais, a eliminação de 3 dias de férias como “prémio” de assiduidade e o corte de 4 feriados -, são sinais de que a margem de manobra que a burguesia tem para impor as medidas terroristas e fascistas que deseja implementar, impostas pela tróica germano-imperialista, é cada vez mais estreita.

E, tanto mais estreita quanto cresce a contestação política e laboral a níveis que se não registavam há várias décadas e, ainda por cima, para desespero dos senhores do capital, lutas que estão a ser travadas nas ruas! Mesmo assim, apostado numa “convergência alargada” que, obviamente, inclui todos aqueles partidos traidores que assinaram o Memorando com a tróica germano-imperialista – PS, PSD e CDS – Cavaco Silva, não só avisa que é necessário resistir à “tentação” de aligeirar o “esforço de austeridade”, como alerta para o facto de “…além de cumprir as obrigações que assumimos, temos todos de empenhar melhor o nosso esforço para que a coesão nacional seja preservada e para garantir um futuro em que os portugueses reconheçam que os sacrifícios valeram a pena”.

E que sacrifícios são estes e de que é que decorrem? É precisamente isto que Cavaco Silva escamoteia. São sacrifícios que decorrem da política vende pátrias do governo PSD/CDS, acolitado pelo PS e a sua “oposição violenta…mas construtiva!”, de fazer os trabalhadores e o povo português pagarem uma dívida que não contraiu, e salvar, com esses sacrifícios, os fabulosos lucros e os interesses dos grandes grupos financeiros e bancários alemães e franceses, entre outros.

São os sacrifícios que impendem somente sobre quem trabalha, precisamente aqueles que nada beneficiaram desta dívida, e remetem Portugal para um retrocesso civilizacional sem precedentes, a um nível muito próximo dos tempos de Salazar e do regime fascista. Sacrifícios que decorrem de uma estratégia que visa transformar o nosso país numa “bolsa de trabalho” ao velho estilo tailorista de trabalho intensivo, barato e desqualificado. Uma estratégia que visa tornar Portugal a “Malásia” da Europa!

Sacrifícios que se traduzem num abaixamento dos salários, numa depreciação das condições de acesso aos serviços de saúde e de educação, num aumento brutal do preço dos produtos básicos por virtude do aumento da taxa do IVA dos escalões mínimo e intermediário para o escalão máximo. São os sacrifícios que decorrem da legislação facilitadora dos despedimentos e da imposição do TRABALHO ESCRAVO e do roubo dos subsídios de férias e de natal feito aos trabalhadores da função pública.


É por isso que são de crocodilo as “lágrimas” vertidas por Cavaco Silva na sua alocução de Ano Novo quando co-responsabiliza a União Europeia pela situação que o nosso país vive e exige uma estratégia para o crescimento e o emprego. Crescimento e emprego que, Cavaco Silva sabe-o bem, serão impossíveis de implementar quando todo o dinheiro é desviado, precisamente, para pagar uma dívida e um “serviço da dívida” ilegítima, ilegal e odiosa.

O que Cavaco Silva, uma vez mais escamoteia, é que o OE 2012 que promulgou horas antes do seu discurso de Ano Novo – SUPREMA HIPOCRISIA! – encerra, precisamente, as medidas que o directório europeu, completamente dominado pelos interesses do eixo Bona/Paris e da dupla Merkel/Sarkozy, impuseram aos trabalhadores e ao povo português, tendo como feitores o governo serventuário PSD/CDS.

É por isso que dizer que”…não devemos esperar que seja a Europa a resolver problemas cuja solução é da nossa responsabilidade” é de uma inqualificável hipocrisia. Claro está que, e Cavaco Silva sabe-o bem, não se pode pedir aos responsáveis pela crise e pela dívida, e que dela beneficiam, que a resolvam. Cavaco Silva sabe perfeitamente que esta crise e esta dívida foram forjadas pela estratégia de dominação da Europa pelo imperialismo germânico e que o “sacrossanto” euro não passa de um instrumento dessa dominação, mais não sendo do que o marco travestido.

Cavaco Silva sabe que esta dívida é IMPAGÁVEL, para além de ser ilegítima, ilegal e odiosa. Sabe que esta dívida serve para que a tróica germano-imperialista se utilize dela para transferir activos e empresas estratégicas públicas para mãos privadas, de que o mais recente episódio foi a venda a retalho da EDP a uma empresa…pública!!!...chinesa.
Talvez ainda não saiba, mas as lutas que os trabalhadores e o povo português vão travar em 2012 despertá-lo-ão para esse facto, é que, tal como o governo de traição PSD/CDS, também ele tem termo de validade certo para o cargo que desempenha ao serviço de interesses que não se compaginam com os interesses de quem trabalha.

Ambos serão derrubados pela força dessas lutas para dar lugar a um Governo de Esquerda Democrático Patriótico, cuja primeira medida será afirmar que NÃO PAGAMOS! Uma dívida que não foi contraída pelo povo, nem foi contraída em seu benefício.

Um Governo que implementará um programa político e económico assente num novo paradigma, ao serviço dos trabalhadores e do povo, que recupere o tecido produtivo destruído, precisamente, pelos sucessivos governos PS e PSD, acolitados pelo CDS. Que, em regime de rotatividade, têm estado no poder nas últimas três décadas.

Contra a “convergência” daqueles que, sob a batuta de Cavaco Silva – PS, PSD e CDS – querem que sejam os trabalhadores e o povo português a pagar uma dívida que não contraíram, nem foi contraída para seu benefício, tem de se opor a CONVERGÊNCIA daqueles que dizem NÃO PAGAMOS!


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