“Não haverá movimento revolucionário, sem ideologia revolucionária” - Lenine

“Sem ideologia revolucionária, não há movimento revolucionário” - Lenine

Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

Entrevista de Arménio Carlos à SIC Notícias: O que ficou por dizer por parte da CGTP!


Na entrevista que concedeu ontem a Mário Crespo na SIC Notícias, Arménio Carlos, dirigente da CGTP desmontou alguns dos “mitos” que a burguesia tenta passar quanto ao que esteve em questão no quadro da “concertação social” que, ontem também, produziu um acordo entre a UGT, o patronato e o seu governo, altamente gravoso dos interesses da classe operária e dos trabalhadores portugueses e que prefigura, tal como a medida da meia hora diária que agora caiu, TRABALHO FORÇADO, não pago e escravo.

Se é certo que temos apreciado algumas das atitudes que a CGTP e o seu Secretário-geral têm assumido contra a fraude que constituiu a “concertação social” e a levou ao desfecho que se conhece, não menos certo é que não nos furtamos a criticar aquilo que consideramos o reformismo estrutural em que a Central Sindical em questão se enredou de há muito! Para os marxistas-leninistas, os sindicatos são estruturas de classe que deveriam servir, não só para defender questões da remuneração e direitos sociais dos trabalhadores, mas para elevarem a consciência política dos trabalhadores quanto ao objectivo final das suas lutas que é o da substituição de um sistema que assenta na exploração do homem pelo homem, o sistema capitalista, por um sistema onde os meios de produção e distribuição estejam nas mãos de quem trabalha, o sistema socialista.

Torna-se, pois, confrangedor, ver Arménio Carlos, por quem se pode nutrir, até, alguma simpatia, a não contestar as provocações de Mário Crespo – que no fundo reflectem as ideias mais retrógradas do patronato - de que numa situação de "emergência nacional", por não haver dinheiro, muitos são os que advogam a ideia de que o cumprimento da constituição não faz sentido.

Haver dinheiro há! Disse, muito bem Arménio Carlos. Só que, foi o que ficou por dizer que torna limitada a sua intervenção. O dinheiro, que existe, pois Portugal continua a produzir, todos os meses, 15 mil milhões de PIB, não chega é para pagar uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa para servir os interesses das grandes corporações financeiras e bancárias e, ao mesmo tempo, para fazer face às obrigações do estado, quer na implementação de investimentos produtivos, quer nas prestações sociais a que deveria estar obrigado.

O que Arménio Carlos deveria evidenciar era que a propalada "emergência nacional" serve para, à custa de maior exploração e diminuição dos direitos sociais que os trabalhadores e o povo conquistaram, fazer face, por um lado, a essa dívida que não foi contraída pelo povo, nem foi contraída em seu benefício, e, por outro, a proporcionar ao patronato maior acumulação de riqueza. E é este o contexto que Arménio Carlos não percebe que deve ser dado à questão!

Por isso, temos defendido aquelas posições onde consideramos que a CGTP teve atitudes correctas, não nos coibindo, no entanto, de criticar aqueloutras onde impera, uma vez mais, a visão estreita e reformista da Central Sindical.

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