“Não haverá movimento revolucionário, sem ideologia revolucionária” - Lenine

“Sem ideologia revolucionária, não há movimento revolucionário” - Lenine

Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

Fisco: Comer criancinhas ao almoço

Um jornal da nossa praça relata em grandes paragonas o “desaparecimento” de 111 mil crianças nos registos do fisco…porque o fisco sempre muito “atento” às burlas do contribuinte…pequeno e médio, claro…pensa ter descoberto que muitas famílias registaram “supostos” filhos no seu agregado familiar…para minorar o seu IRS…e assim toca a cortar e a cortar nas deduções na saúde e educação…e claro mais multas!

Sobre este caso uma crónica do jornalista Ferreira Fernandes que acerta em cheio…é fartar vilanagem!

«O furo foi do Jornal de Negócios, infelizmente um jornal sério, o que o impediu de ver o tamanho do escândalo que tinha entre as mãos. "Desapareceram 111 mil crianças nos registos do fisco", foi a manchete do jornal, ontem. Especializado em economia - com "Agenda do Investidor", "Guia da Bolsa", e algarismos assim - naturalmente o jornal seguiu a pista mais seca: os impostos aceitavam de boa fé as informações das famílias dizendo que tinham filhos para reduzir o IRS; desde o ano passado, porém, é obrigatório que todas as crianças tenham número de contribuinte... Resultado, num ano desapareceram as tais 111 mil crianças. Crime fiscal, disse o Jornal de Negócios. Conclusão precipitada, acho eu.

Permitam-me que traga para aqui o clássico Jonathan Swift. O irlandês é autor da célebre As Viagens de Gulliver, mas é de outra obra sua que falo. Depois do título Modesta Proposta (1729), seguia-se esta explicação: "Para impedir as crianças pobres na Irlanda de serem pesadas aos seus pais e ao seu País..." A obra foi escrita durante uma crise grave na Irlanda e a modesta proposta era, tão-só, comer os bebés: "Uma criança saudável na idade de um ano é um alimento delicioso, nutritivo e são..." Swift escreveu-a como sátira política, e até nos seus tempos foi entendida assim. Receio é que os contribuintes portugueses, médios e pobres, habituados que estão a que sejam sempre eles a pagar a crise, tenham levado Jonathan Swift à letra.»

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