“Não haverá movimento revolucionário, sem ideologia revolucionária” - Lenine

“Sem ideologia revolucionária, não há movimento revolucionário” - Lenine

Domingo, 15 de Janeiro de 2012

Lisboa com menos transportes e mais caros…é fartar! Trabalhadores dos transportes e os utentes a mesma luta!

Este é um ataque sem precedentes aos utentes e à sua mobilidade em simultâneo à investida canalha aos direitos dos trabalhadores dos transportes, roubando salários, preparando os despedimentos e privatização das empresas públicas de transportes.

O relatório entregue ao secretário de Estado dos Transportes vem confirmar o que já aqui denunciamos, os utentes dos barcos vão ser os mais prejudicados. Em terra, a Carris vai suprir 10 carreiras e o Metro vai andar mais devagar…vilanagem!

Assim na Área Metropolitana de Lisboa vai ter menos transportes e vai pagar-se mais para andar de autocarro, metro, barco ou comboio…se os utentes não redobrarem o combate contra estas medidas fascizantes!

As alterações que eram para começarem a ser implementadas em Janeiro, que a luta dos utentes impediu, irão avançar neste primeiro trimestre, nalguns casos já em Fevereiro.

Escalpelizando este relatório, os utentes do transporte fluvial, que fazem a travessia do Tejo, irão sentir mais – mais no tempo e mais na carteira…um roubo descarado…o que usam a ligação Trafaria/Porto Brandão/Belém vão ficar sem ela e vão precisar de mais do que 25 minutos para recorrer ao autocarro ou ao comboio. Vão também gastar mais do dobro do dinheiro.

Do Seixal e Montijo para o Cais do Sodré, só nos dias úteis e nas horas de ponta é que passa a haver ligações. Quem precisar de se deslocar entre as duas margens ao fim-de-semana, feriados ou fora das horas de ponta, tem que usar outros transportes e pagar outros títulos. Nalgumas situações, vai gastar-se mais do dobro…é fartar!

As ligações Cacilhas/Cais do Sodré e Barreiro/Terreiro do Paço passam a demorar mais nos seus percursos e a ter intervalos mais alargados, além de terminarem mais cedo. Ao fim-de-semana, os cortes são maiores e passam a circular os navios e cacilheiros mais antigos, com maior capacidade e mais económicos no consumo de combustível, mas mais lentos…vilanagem!

Com os utilizadores das carreiras suburbanas da Carris, conjuntamente com os aumentos dos passes*, vão ser suprimidas seis e outras nove vão ser encurtadas ou ter o percurso alterado e só um prolongamento.

Quer isto dizer que os passageiros – sobretudo, da zona Norte de Lisboa – vão ter que recorrer a outros operadores privados, porque a ausência de um sistema tarifário verdadeiramente integrado para facilitar a intermodalidade se torna significativamente onerosa, nomeadamente, porque antes os utentes usavam apenas um tipo de passe…canalhas!

Na própria cidade de Lisboa, a Caris também deve fazer ajustamentos em 37 carreiras, sendo que 10 são eliminadas…o grupo de “trabalho” diz que há “alternativas”, como com o Metropolitano. Mas como Metro também vai circular com intervalos maiores, mais devagar e só com três carruagens fora das horas de ponta, feriados e fins-de-semana…ora toma vilanagem!...e claro os “ajustamentos” atingirão 300 trabalhadores da Carris que devem ser despedidos…com tantos cortes não serão “necessários” tantos trabalhadores…é fartar!

Entretanto os vereadores da Mobilidade da Área Metropolitana de Lisboa rejeitaram, por unanimidade, a proposta final do grupo de trabalho que o Governo nomeou para estudar a reestruturação dos transportes públicos. É, dizem, "muito penalizadora para os operadores Carris e Transtejo" e potencia "uma perda real da mobilidade das populações". Quanto às propostas para o Metro de Lisboa e para a CP, os autarcas não vêem "grandes impactos"…e ficam por aí…nada de assumir o controlo destas empresas, reivindicação justa sempre defendida pelo nosso partido!

Esta situação demonstra que a luta dos utentes e dos trabalhadores dos transportes é una, porquanto o ataque aos trabalhadores e aos utentes têm mesmo objectivo, impor as mesmas políticas de traição impostas pela Tróica.

O aumento dos preços e a redução de serviços e carreiras são roubos aos utentes. A luta dos trabalhadores dos transportes é também a vossa luta!

Indigne-se e lute por transportes públicos cómodos e eficientes ao serviço das populações e com preços sociais!

*Em nome da uniformização do preço dos passes dos metros de Lisboa e Porto, o Governo prepara-se para aumentar em 50% o custo do passe urbano do metro de Lisboa: passa de 23,90 euro para 36 euros, enquanto a assinatura mensal Z3 do Andante baixa 50 cêntimos.

O objectivo do Governo "é acabar com as discrepâncias de preço entre os valores das assinaturas mensais da rede urbana dos metros de Lisboa e Porto, aquelas que são utilizadas por mais pessoas". Mas esta opção vai constituir mais um aumento brutal para os utilizadores da rede urbana do metro de Lisboa: passam a pagar mais 16,45 euros em menos de um ano.


0 comentários:

Enviar um comentário