“Paulo Portas, o ministro dos negócios estrangeiros desaparecido in partibus infidelis, não tem feito outra coisa, desde que tomou posse, que não seja encerrar por esse mundo fora os nossos serviços consulares. É um Portas que fecha portas.
Como toda a gente já percebeu, Portas é um acabadíssimo ignorante quanto aos reais interesses de Portugal no estrangeiro, e, por isso, não admira que se meta a fechar os serviços consulares precisamente onde eles mais são necessários.” Este pequeno texto que nós citamos, foi por nós publicado no final do mês passado (Alemanha na rota da Emigração), que ilustra bem este fim trágico de uma livraria no Rio de Janeiro, de nome Camões…a mesma política, o mesmo propósito: fechar portas! Camões só com um olho enxergava mais que esta gentalha…é fartar vilanagem!
Um texto de Alexandra Lucas Coelho…
«Vasco Graça Moura chama-lhe “um Fernão Mendes Pinto do livro”. Mas agora, aos 76 anos, José Estrela, gerente da Livraria Camões, recebeu ordens para parar: “O meu amigo doutor Estevão Moura, presidente da Imprensa Nacional Casa da Moeda [INCM], escreveu-me a dizer que em face dos acontecimentos em Portugal, e do pouco volume de vendas, vamos ser obrigados a fechar”, contou ontem ao PÚBLICO.
Propriedade da INCM em pleno centro do Rio de Janeiro, a Livraria Camões foi durante décadas a embaixadora dos livros portugueses no Brasil.
“A INCM está tomando uma decisão que acha que devia tomar, porque se não há lucros é um peso”, admite Estrela. “Mas não foi pensada a importância da livraria. O Saramago lançou o seu primeiro romance aqui. Tínhamos 114 editoras portuguesas representadas. De 1984 a 1986, vendemos 200 mil livros portugueses em todo o Brasil.”
Sempre enviados através pela INCM. “Tem que se lhe creditar o esforço na divulgação da cultura portuguesa”, elogia o livreiro. “Por exemplo, o doutor Vasco Graça Moura foi um dos impulsionadores da livraria.”
“Impulsionador, não, porque a livraria já existia com muitos problemas”, lembra Graça Moura, administrador da INCM entre 1979 e 1989. “A lei brasileira proibia um estado estrangeiro de ser proprietário de imóveis. Mas havia interesse das editoras portuguesas em colocar os livros no Brasil, embora saíssem caros.” E José Estrela desdobrava-se: “Era um espantoso gerente, conhecia todos os autores, viajava por todos os cantos, uma espécie de Fernão Mendes Pinto do livro.”
Graça Moura recorda ainda problemas laborais e financeiros, causados pela burocracia e pelas dificuldades cambiais. “O Estrela foi sempre aguentando tudo. Tenho muita pena que a livraria feche, mas não sei analisar a situação actual.” Não só pelas diferenças tecnológicas, mas porque hoje editoras dominantes como Leya e Babel têm delegações no Brasil. “Não vão precisar da INCM”, calcula Graça Moura.
Certo é que nos últimos anos a Livraria Camões já não recebia muitos livros. “Em 2011 não importámos um único”, diz José Estrela. “Lisboa não mandava. Quando não há produto não há venda, e quando não há venda há prejuízo. Nos últimos cinco anos as vendas não davam para pagar as despesas, 35 mil euros por mês.” Além dos impostos, são cinco empregados. “Já fomos 18.”
Ainda não há data de fecho, mas estará para breve. Gilda Santos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é uma das académicas que apelou por email a um protesto.»
Como toda a gente já percebeu, Portas é um acabadíssimo ignorante quanto aos reais interesses de Portugal no estrangeiro, e, por isso, não admira que se meta a fechar os serviços consulares precisamente onde eles mais são necessários.” Este pequeno texto que nós citamos, foi por nós publicado no final do mês passado (Alemanha na rota da Emigração), que ilustra bem este fim trágico de uma livraria no Rio de Janeiro, de nome Camões…a mesma política, o mesmo propósito: fechar portas! Camões só com um olho enxergava mais que esta gentalha…é fartar vilanagem!
Um texto de Alexandra Lucas Coelho…
«Vasco Graça Moura chama-lhe “um Fernão Mendes Pinto do livro”. Mas agora, aos 76 anos, José Estrela, gerente da Livraria Camões, recebeu ordens para parar: “O meu amigo doutor Estevão Moura, presidente da Imprensa Nacional Casa da Moeda [INCM], escreveu-me a dizer que em face dos acontecimentos em Portugal, e do pouco volume de vendas, vamos ser obrigados a fechar”, contou ontem ao PÚBLICO.
Propriedade da INCM em pleno centro do Rio de Janeiro, a Livraria Camões foi durante décadas a embaixadora dos livros portugueses no Brasil.
“A INCM está tomando uma decisão que acha que devia tomar, porque se não há lucros é um peso”, admite Estrela. “Mas não foi pensada a importância da livraria. O Saramago lançou o seu primeiro romance aqui. Tínhamos 114 editoras portuguesas representadas. De 1984 a 1986, vendemos 200 mil livros portugueses em todo o Brasil.”
Sempre enviados através pela INCM. “Tem que se lhe creditar o esforço na divulgação da cultura portuguesa”, elogia o livreiro. “Por exemplo, o doutor Vasco Graça Moura foi um dos impulsionadores da livraria.”
“Impulsionador, não, porque a livraria já existia com muitos problemas”, lembra Graça Moura, administrador da INCM entre 1979 e 1989. “A lei brasileira proibia um estado estrangeiro de ser proprietário de imóveis. Mas havia interesse das editoras portuguesas em colocar os livros no Brasil, embora saíssem caros.” E José Estrela desdobrava-se: “Era um espantoso gerente, conhecia todos os autores, viajava por todos os cantos, uma espécie de Fernão Mendes Pinto do livro.”
Graça Moura recorda ainda problemas laborais e financeiros, causados pela burocracia e pelas dificuldades cambiais. “O Estrela foi sempre aguentando tudo. Tenho muita pena que a livraria feche, mas não sei analisar a situação actual.” Não só pelas diferenças tecnológicas, mas porque hoje editoras dominantes como Leya e Babel têm delegações no Brasil. “Não vão precisar da INCM”, calcula Graça Moura.
Certo é que nos últimos anos a Livraria Camões já não recebia muitos livros. “Em 2011 não importámos um único”, diz José Estrela. “Lisboa não mandava. Quando não há produto não há venda, e quando não há venda há prejuízo. Nos últimos cinco anos as vendas não davam para pagar as despesas, 35 mil euros por mês.” Além dos impostos, são cinco empregados. “Já fomos 18.”
Ainda não há data de fecho, mas estará para breve. Gilda Santos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é uma das académicas que apelou por email a um protesto.»

0 comentários:
Enviar um comentário