Miguel Relvas, continua na sua senda de querer enviar para fora do país “os jovens bem preparados”, sempre em defesa do seu Passos…defendeu ontem que Portugal deve "olhar para outros mundos" e menos para a Europa…vejam só três tiradas demagógicas e vergonhosas:
"Se nós olharmos para a nossa história, sabemos que sempre que nos encostaram ao oceano foram os momentos de maior glória da nossa história"…
"Está na hora e na altura de sabermos aproveitar essa condição natural" dos portugueses, pois "foi também por dificuldades que vivemos à época que nós fomos à vida, à procura de outros mundos e de outros mercados", no século XV…
"Esta é uma emigração muito bem preparada. Nós investimos significativamente nos últimos 20 anos numa geração e hoje não lhes damos aquilo de que eles precisam, que é o emprego"…
Estes rasgos mostram bem que Relvas teria um menos-mau em matéria de história, e porque no último vómito falou meia verdade…nos últimos 20 anos o investimento foi diminuindo na educação, não por culpa dos professores, mas sim pelas políticas reaccionárias dos vários governos que passaram pelo poder, PSD, PS e CDS. É verdade que os últimos governos não dão aquilo que os jovens precisam: um emprego – não o da precariedade, não o dos falsos recibos verdes – que faça que o nosso país se desenvolva e progride.
Mostremos um pouco de história a este vendido colocando este texto de André Brun, retirado do seu “Sumário de Várias Crónicas”, onde ele relata uma partida, das inúmeras, de emigrantes “em cata dum sonho, à busca duma vida de felicidade que a Pátria lhes não dá”.
"Pela vasta janela junto da qual trabalho avista-se o Tejo e um dos seus cais de embarque. Neste dia de radiosa primavera, em que o sol derrama sobre as coisas uma alegria serena, tenho visto passar-se a pouca distância dos meus olhos uma larga série de pequenos dramas.
Toda a manhã tem estado a embarcar emigrantes. O cais está completamente invadido por gente pobre, sobraçando pacotes e trouxas, tendo aos pés, em pequenas caixas e em sacos de ramagens, os míseros trapicalhos que constituem seus haveres. Ao longe, o fumo dum grande vapor inglês acena-lhes, chamando-os. Pouco a pouco vão-se atulhando as fragatas e rebocadores, que por fim largam, rio abaixo, a encostar ao transatlântico, De bordo vão-se agitando lenços brancos e barretes. Em terra ficam mulheres chorando, crianças que mal entendem o que se passa e dizem também adeus. E, sobre o Tejo, liso como um espelho, sob a luz cegante de um céu sem nuvens, os que abalam em cata dum sonho, à busca duma vida de felicidade que a Pátria lhes não dá, devem sentir no coração uma angústia torturante, gémea daquela que, encostada ás pedras dos cais, vê afastarem-se os entes queridos roubados pela má fortuna. E todas as segundas feiras é um espectáculo semelhante. Cada grande steamer que entra no Tejo furta-nos umas centenas de portugueses, que vão à aventura, fazer nem sabem o quê, para ganharem o pão que Portugal lhes nega. Quantos voltarão desse sonho para o qual embarcam cheios de tristeza, mas com uma luz de esperança? Tripulantes da armada da miséria, quantos vencerão nesse combate para o qual apenas levam aprestados os braços nus ? "
16 Março 1914.
Fotografia de Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa
(Agradecimentos ao Blogue rua dos dias que voam)
"Se nós olharmos para a nossa história, sabemos que sempre que nos encostaram ao oceano foram os momentos de maior glória da nossa história"…
"Está na hora e na altura de sabermos aproveitar essa condição natural" dos portugueses, pois "foi também por dificuldades que vivemos à época que nós fomos à vida, à procura de outros mundos e de outros mercados", no século XV…
"Esta é uma emigração muito bem preparada. Nós investimos significativamente nos últimos 20 anos numa geração e hoje não lhes damos aquilo de que eles precisam, que é o emprego"…
Estes rasgos mostram bem que Relvas teria um menos-mau em matéria de história, e porque no último vómito falou meia verdade…nos últimos 20 anos o investimento foi diminuindo na educação, não por culpa dos professores, mas sim pelas políticas reaccionárias dos vários governos que passaram pelo poder, PSD, PS e CDS. É verdade que os últimos governos não dão aquilo que os jovens precisam: um emprego – não o da precariedade, não o dos falsos recibos verdes – que faça que o nosso país se desenvolva e progride.
Mostremos um pouco de história a este vendido colocando este texto de André Brun, retirado do seu “Sumário de Várias Crónicas”, onde ele relata uma partida, das inúmeras, de emigrantes “em cata dum sonho, à busca duma vida de felicidade que a Pátria lhes não dá”.
"Pela vasta janela junto da qual trabalho avista-se o Tejo e um dos seus cais de embarque. Neste dia de radiosa primavera, em que o sol derrama sobre as coisas uma alegria serena, tenho visto passar-se a pouca distância dos meus olhos uma larga série de pequenos dramas.
Toda a manhã tem estado a embarcar emigrantes. O cais está completamente invadido por gente pobre, sobraçando pacotes e trouxas, tendo aos pés, em pequenas caixas e em sacos de ramagens, os míseros trapicalhos que constituem seus haveres. Ao longe, o fumo dum grande vapor inglês acena-lhes, chamando-os. Pouco a pouco vão-se atulhando as fragatas e rebocadores, que por fim largam, rio abaixo, a encostar ao transatlântico, De bordo vão-se agitando lenços brancos e barretes. Em terra ficam mulheres chorando, crianças que mal entendem o que se passa e dizem também adeus. E, sobre o Tejo, liso como um espelho, sob a luz cegante de um céu sem nuvens, os que abalam em cata dum sonho, à busca duma vida de felicidade que a Pátria lhes não dá, devem sentir no coração uma angústia torturante, gémea daquela que, encostada ás pedras dos cais, vê afastarem-se os entes queridos roubados pela má fortuna. E todas as segundas feiras é um espectáculo semelhante. Cada grande steamer que entra no Tejo furta-nos umas centenas de portugueses, que vão à aventura, fazer nem sabem o quê, para ganharem o pão que Portugal lhes nega. Quantos voltarão desse sonho para o qual embarcam cheios de tristeza, mas com uma luz de esperança? Tripulantes da armada da miséria, quantos vencerão nesse combate para o qual apenas levam aprestados os braços nus ? "
16 Março 1914.
Fotografia de Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa
(Agradecimentos ao Blogue rua dos dias que voam)

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