“Não haverá movimento revolucionário, sem ideologia revolucionária” - Lenine

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Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

Olhão: Mulher trucidada pelo comboio – um crime continuado


Na passada segunda-feira publicamos esta notícia sobre a morte violenta desta mulher trucidada por um comboio, durante a passagem de nível na cidade de Olhão.

Recebemos entretanto do nosso correspondente no Algarve esta nota sobre este acontecimento e sobre as posições e solução que nosso partido tem continuamente dado para resolver esta criminosa situação.

«Desde há muitos anos que as candidaturas do PCTP/MRPP, ao Parlamento e à Câmara de Olhão, têm vindo a apontar soluções para este autêntico cadafalso que é a travessia da cidade de Olhão. A solução passaria pela abertura de um subterrâneo, e consequente inferiorização da estação, para passagem da linha na aproximação da cidade. Na parte superior seriam aproveitadas as estruturas existentes para a instalação de um museu dos transportes Olhanenses e respectivo ajardinamento. Ficaria o trato urbano todo ligado, sem o corte Norte/Sul, e aqueles 4 perigosos atravessamentos.

Infelizmente a prática só demonstra que temos razão, contra todos os oportunistas que sempre nos apelidaram de megalómanos e irresponsáveis, que não conhecíamos a realidade a cidade.

Mas quantas vidas mais serão necessárias para as entidades envolvidas (REFER e Câmara) cheguem à conclusão que terá de ser dada uma resolução àquele matadouro.

Até quando os Olhanense vão aguardar para se organizarem e exigirem aquela construção.

O caminho há muito que foi apontado e este o que terá de ser seguido. Organizemo-nos contra a burguesia, pois esta nada fará pela salvaguarda da vida das populações.»

2 comentários:

  1. Tenho a comentar que a referida Sra. nunca foi TRUCIDADA. O termo trucidado aplica-se a quando alguém é amputado pelas rodas do comboio. Esta senhora foi projectada e não chegou nunca a ser trucidada. Também tenho a lamentar a triste atitude dos Olhanenses que não respeitam sinalização nem regras nem leis e sei do que falo porque vejo essa falta de sensibilidade diariamente, seja a atravessar a linha, seja a andar ao longo dela e até mesmo quando atentam contra as vedações que todos os anos são repostas! Também tenho a comentar que o actual número de atravessamentos de nível apenas se mantém por imposição do município que recusou encerrar parte deles. Além do mais, pergunto eu que tipo de conhecimentos de construção ferroviária tem a pessoa que anda ai a projectar "inferiorizações" da estação e passagens inferiores. Provavelmente a pessoa que pensou nessa ideia das passagens inferiores não conhece a passagem inferior que existe em Olhão e que infelizmente todos os anos fica completamente cheia de água ( até ao tecto ) devido ao facto de Olhão estar pouco acima da cota do nível do mar. Não me levem a mal... é que actualmente toda a gente parece que é perito em caminhos de ferro e altas velocidades mas nem sequer sabe o que é um comboio. Também quero acrescentar que o facto da ferrovia estar tão embrenhada dentro da cidade de Olhão se deve ao mau ordenamento da cidade, porque quando o caminho de ferro lá foi instalado não atravessava a cidade... Não se pense que estou contra vocês nem pouco mais ou menos... eu gosto que as coisas sejam vistas de todos os pontos de vista. Também concordo que não deveriam existir passagens de nível. Agora há que dizer que a senhora faleceu ( infelizmente ) devido ao desrespeito da sinalização. Este comportamento é apenas mais um indicador do estado decadente da cultura, educação, respeito, civismo, etc! Não é por nada que precisamente Olhão insiste em fazer do caminho de ferro lixeira, atirando para ali todo o tipo de lixo! Isto não se passa em mais nenhuma terra do Algarve. Se querem ter razão então têm de começar a comportar-se. Mais uma vez... Os meus pêsames à família da Senhora.

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    1. Cabe-me a mim, como dirigente regional e nacional deste Partido responder a este nosso leitor, anónimo.
      Quanto ao facto da senhora ter sido trucidada ou projectada, não me parece de relevante importância, pois o facto é que ela morreu por acção do comboio. Aliás o termo certo é "colhida". Aqui apenas transcrevemos o título da notícia da responsabilidade da RTP.
      A falta de respeito pelas regras de sinalização e outras que refere, só acontecem porque a incúria dos responsáveis pela segurança das populações, não constroem infraestruturas que impeçam efectivamente essa infracção. Quantas pessoas são colhidas por irem pura e simplesmente distraídas a pensar na sua vida, e agora com todas as dificuldades para fazer face ao dia a dia será ainda pior. O andar pela linha é proibido por lei, mas no entanto não há nada que fisicamente o impeça; as vivendas dos grandes senhores são fortemente muradas porque não querem que sejam efectivamente violadas. É verdade que algumas redes são violadas, mas, como acontece na Rua Calouste Gulbenkian para ir ao Intermarché, não são dadas alternativas, como a construção de uma passagem superior. E a responsabilidade destas falhas deverão ser repartidas pelos detentores da posse dos terrenos, REFER e Câmara.
      A inferiorização da estação e a passagem da linha também por túnel inferior, não é nenhuma aberração dos comunistas de Olhão, antes pelo contrário, é o ver, perceber e sentir a cidade. Em muitas cidades da Europa, e principalmente de Espanha, é esta a solução para a anulação do comboio em casco urbano. Em Espinho foi também esta a solução para colmatar a desregulação urbana. Em Olhão, quando avançámos com esta solução, tivemos em consideração vários estudos já existentes sobre a consolidação dos terrenos envolvidos, nomeadamente o RELATÓRIO da CÂMARA MUNICIPAL DE OLHÃO Plano de Pormenor da UOP2 de Marim e Relatório da Carta de Solos da Quinta de Marim, desde o Apeadeiro de Marim, com uma inclinação favorável de 5%, até à ETAR, num total de 5,015 Km. É claro que aqui também implicaria a electrificação da linha desde Faro a Vila Real de Santo António. Mesmo a existência da passagem rodoviária inferior na Av. da República foi tomada em linha de conta e por certo sabemos que se ninguém a atravessa e continuam a atravessar a linha do comboio, é porque mais uma vez esse atravessamento é facilitado e por outro lado a falta de segurança no túnel inferior é evidente. Se fica cheia de água até ao tecto é, mais uma vez, por incúria de quem responsável ter deixado uma obra daquelas com mau escoamento. No ponto 15 do nosso programa dizia-se "... Estudo conjunto com a CP/REFER para construção de uma estação subterrânea, passando o actual espaço a funcionar como museu dos transportes Olhanenses.”
      Todas estas questões têm o seu cunho de classe e nestas questões o que subjaz é o lucro fácil e o economicismo.
      Esta ideia foi debatida em várias campanhas eleitorais e nunca aceite, nem refutada, por nenhum dos outros partidos e não nos admiramos se um qualquer dia destes surgir como nova e acabadinha de inventar por um qualquer deles, tal como aconteceu com o Hospital velho que só depois de nós propormos soluções é que se avançou com uma delas.
      Espero ter contribuído para o esclarecimento da notícia em questão, que não sendo da nossa responsabilidade, apenas fizemos o comentário e desmascaramento de uma situação que como já disse tem o seu cunho de classe. Estaremos, como Partido e eu pessoalmente, sempre ao dispor para qualquer outra dúvida.
      Como nota final quero-lhe dizer, Sr. Anónimo, que a definição de comboio é completamente diferente da de automotora, locomotiva ou unidade motora. Aquele só se poderá fazer com estes. Estas definições estudam-se num curso do qual se têm de dar provas, curso esse que eu fiz e no fim nos dá a habilitação de maquinista ferroviário, profissão que actualmente exerço na linha do Algarve.

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