Ao promover uma conferência dedicada ao tema da natalidade, pomposamente designada como “Nascer em Portugal”, o senil Cavaco Silva escolheu a dedo os seus promotores e principais intervenientes e oradores, precisamente entre aqueles que são os fautores das políticas que levaram ao grave envelhecimento da população, e tenta escamotear que se torna completamente inútil procurar qualquer solução no quadro das medidas terroristas de submissão à tróica germano-imperialista levada a cabo por este governo de traidores e vende pátrias, política e medidas apenas geradoras de mais fome, miséria e desemprego.
O que nenhum dos intervenientes na supracitada conferência quis aflorar foi o facto de, não existindo perspectivas de futuro, não existindo sequer as condições materiais mínimas para satisfazer as necessidades básicas para a sua sobrevivência, os jovens casais adiam a decisão de ter filhos, e é isso que faz com que Portugal se esteja a tornar num dos países mais envelhecidos do mundo onde, a título de exemplo, refira-se que na década de 60 do seculo XX era habitual as mulheres serem mães aos 25 anos, sendo que hoje a esmagadora maioria delas adia essa decisão para os 30/34 anos.
Na conferência “Nascer em Portugal”, promovida pelo mendigo de Belém, cuja “preocupação” assenta, não no bem-estar das famílias e dos trabalhadores, mas sim no declínio da reposição de “stocks” de futuros trabalhadores para serem explorados pela burguesia e o seu sistema capitalista, a presidente da Associação Portuguesa de Demografia, Maria Filomena Mendes, vem dizer que “nós temos um problema de baixa natalidade”, sendo que “Portugal é um dos países do mundo que continuam com uma tendência de declínio”, como o prova o facto de, na década de 60 do século passado, a taxa de natalidade bruta ser de 200 mil nascimentos, cifrando-se, na actualidade, nos 100 mil, isto é, metade!
Além de a maioria das mulheres ter, hoje, apenas 1 filho (o que aponta para uma média de 1,3 filhos por mulher), nos anos de 2007, 2009 e 2010 deu-se o facto inédito de ter sido menor o número de nascidos do que os que faleceram.
Claro está que o entendimento oportunista e criminoso da burguesia é o de “justificar” esta situação como “o resultado de milhões de decisões tomadas na intimidade dos casais”, como defende Filomena Mendes, ou porque existe um “adiamento para a vida adulta” ou, ainda, porque a introdução no mercado dos métodos contraceptivos veio permitir programar a chegada do primeiro filho.
Esta gente tenta confundir efeitos com causas. As falácias em que assentam as suas “preocupações” visam escamotear que, se cada vez mais os casais e as mulheres adiam a decisão de ter um filho, isso se deve ao facto de um dos elementos do casal, ou os dois, não terem emprego ou ganharem um miserável salário, não tendo condições para sair de casa dos pais e que, num quadro de cada vez maior fome, miséria e desemprego provocadas pelas medidas terroristas que este governo de traição PSD/CDS, a mando da tróica germano-imperialista, impõe ao povo português, ter um filho não está na lista de prioridades daqueles que têm de lutar para assegurar a sua sobrevivência.
Só um governo de unidade das camadas populares, de esquerda, com um programa democrático patriótico, um governo cuja primeira medida seria o do NÃO PAGAMENTO de uma dívida que não foi contraída pelo povo, nem foi contraída para seu benefício, um governo que restaure o tecido produtivo destruído por sucessivos governos de traição do PS e do PSD, muitos deles acolitados pelo CDS, um governo que, mercê de um programa de investimentos criteriosos, produtivos, alterasse o paradigma da nossa economia, colocando-a ao serviço dos trabalhadores e do povo, e sob seu controlo, poderá resolver esta questão.

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