Para aqueles eternos “distraídos” que passam a vida a “exigir” mudanças de política ao governo, a “reestruturação” ou “renegociação” da dívida, ou seja, os lamentos do costume, Cavaco Silva vem lembrar, no entanto, em entrevista a um jornal austríaco, quem são os verdadeiros inimigos da classe operária, dos trabalhadores e do povo português, quais as suas intenções e que meios utilizam para impor as suas medidas terroristas e fascistas.
Cristalino! Reconhecendo uma recessão de mais de 3% do PIB e uma taxa de desemprego superior a 14%, com tendência a crescer, relembra Cavaco Silva que estas são as consequências naturais de um programa que, apesar dos riscos de “instabilidade social” que possa provocar, assenta num programa que merece o apoio de cerca de 85% dos deputados da Assembleia da República, precisamente dos partidos que assinaram o programa com a tróica germano-imperialista – PS, PSD e CDS.
Escamoteia, porém, que essa “legitimidade” eleitoral foi totalmente esfrangalhada pela legitimidade da composição demográfica de esquerda e popular que está na base das lutas mais recentes levadas a cabo pela classe operária, pelos trabalhadores e pelo povo português, que vão desde a Greve Geral Nacional de 24 de Novembro do ano passado, às greves do sector dos transportes, à paralisação e ocupação dos portões da fábrica pelos operários da Valadares, a luta dos trabalhadores da TAP, entre tantas outras.
Respaldado no acordo da “concertação social” que o traidor João Proença, secretário-geral da UGT – que não representa senão ele próprio e os interesses do patronato e do seu governo – assinou, Cavaco Silva mente descaradamente ao afirmar que “a população demonstra grande sentido da responsabilidade, apesar dos sacrifícios”!
Cavaco Silva escamoteia a verdade, também, ao não referir que essas medidas terroristas e fascistas, para além de terem como consequência mais fome, miséria e desemprego para o povo português, não resolvem coisíssima nenhuma, já que, como ficou demonstrado pela enorme recessão e aumento de desemprego, esta dívida é, para além do mais, IMPAGÁVEL!
Num registo idêntico ao dos delírios que expandiu durante a sua recente visita ao reino da Nokia, Cavaco Silva refere que, “demonstrativo” do “apoio” do povo às medidas que este governo de traição, serventuário da tróica germano-imperialista, é o “facto” de “até agora apenas se registou uma greve geral, e foi limitada
Por razões antagónicamente distintas somos obrigados a concordar com Cavaco Silva. É que, de facto, há muito que já deveriam ter sido convocadas mais Greves Gerais Nacionais e com objectivos bem mais avançados do que aqueles que, sobretudo a CGTP, tem proposto aos trabalhadores.
Nenhum operário, nenhum trabalhador ou elemento do povo mais conscientes entende porque é que, aproveitando a Manifestação do passado dia 11 de Fevereiro, a CGTP e o seu secretário-geral, Arménio Carlos, não mobilizaram e organizaram as massas para uma nova GREVE GERAL NACIONAL que coincidisse com a discussão da nova legislação do trabalho saída da última reunião da “concertação social”.
Já nenhum operário, trabalhador ou elemento do povo conscientes, compreende porque é que, na situação política actual, em que um governo de traidores se limita a seguir as directrizes dos seus patrões da tróica germano-imperialista, as suas organizações de classe, os sindicatos, os não organizem e mobilizem para a única saída que realmente satisfaça os seus objectivos e necessidades: o derrube deste governo e de quem, como Cavaco, o apadrinha e a expulsão da tróica de Portugal!
Mas, Cavaco e o seu governo de traição nacional que se cuidem! Porque, não irá demorar muito tempo que os trabalhadores imponham uma nova Greve geral Nacional que esfrangalhe ainda mais a sua pretensa “legitimidade” eleitoral e a deste governo. Aí sim, as coisas vão mudar de figura. A procissão ainda vai no adro!
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