Em continuada luta incessante da nossa parte contra o acordo ortográfico, deixamos este belo poema da autoria da Madalena Homem Cardoso…
Dois mil e dezasseis, o mais tardar,
programa-se a extinção da letra "H".
Vão os interessados demonstrar
aos iletrados que, entre as consoantes,
mais muda, absurda, irrelevante, ...não "á".
Sonhem-se os livros re-editados,
os "corretores" patenteados,
"corrêtamente" "desagasados",
e os "omens de oje" já reciclados
(pelo corropio dos lestos formadores)
na grafia-da-moda que já está
– e não mais se conceba a "ora agá"! –,
softwares nos computadores
– únicos doutos escrevedores... –,
faseadamente, ainda antes
da queda iminente da cedilha
(anacrónica, cómica excrecência),
mas é preciso tempo e paciência,
fazer render – e muito! – a pastilha...
A vogal vã, o "U" após o "Q",
é outra para sair se não se lê...
Não se diz, vai cair. Ponto final.
Mas, por enquanto, é confidencial...
— Viste murchar os pontos cardeais?
Não leste e estás a "leste"? Queres comer
onde não resta espaço, estás a mais...
Uns anitos que fiques, irás ver
vender Portugal com letra pequena...
Ainda estás aí? ...Não tenhas pena.
Pedras e letras valem uns tostões
a uns poucos expertos comilões...
País-nação, estará fora de cena.
E enquanto não falir, deficitário,
grafe-se "portugal" no Novo Dicionário.
por Madalena Homem Cardoso
Boa surpresa! A Língua Portuguesa agradece a todos nós, os "activistas ortográficos"...! :)
ResponderEliminarMadalena Homem Cardoso