Para além da medida já aqui denunciada de instituir um gestor de carreira para conduzir o desempregado no caminho da exploração ou da emigração, o governo Coelho/Portas resolveu ainda contratar empresas de trabalho temporário para pretensamente reduzir o desemprego.
O que agora nos merece a atenção não é tanto o facto de o governo, confrontado com uma taxa de desemprego incontrolável e permanentemente alimentada pela sua política, anunciar medidas provocatórias e totalmente condenadas ao fracasso, mas mais o conteúdo das reacções do PS e dos partidos da dita esquerda parlamentar.
Em matéria de desemprego, o PS, que subscreveu o memorando da tróica e continua a honrar essa traição, não sabe dizer mais nada senão repetir que o problema se resolve com crescimento económico, tentando iludir o facto de a política da tróica que apadrinha não o permitir.
Mas quanto ao BE e o PCP, não andam muito longe.
Também eles, juntando-se a Cavaco, apelam a uma política de crescimento e desenvolvimento económico, pedindo o BE investimento público.
Todos, no fundo, se limitam a encarar esta verdadeira calamidade – mais de 300 mil desempregados não recebem qualquer prestação social -, na base de apelos abstractos ou preces para que um milagre leve a tróica e o governo a mudarem de política.
Ora, o que está em causa, não é defender a constituição de um banco de investimento público, como o faz Louçã, mas sim o da nacionalização da Banca e dos sectores produtivos estratégicos do país e seu controlo directo pelos trabalhadores, com vista a assegurar a execução de um plano de desenvolvimento económico ao serviço o povo.
Mas esta política – única susceptível de reduzir e eliminar o desemprego – só pode ser realizada com o derrube do governo de traição nacional PSD/CDS e a constituição de um governo de unidade democrático patriótico.
E esta conclusão – de que largas camadas dos operários e trabalhadores já tomaram consciência – o BE e o PCP fogem em assumi-la.

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