“Não haverá movimento revolucionário, sem ideologia revolucionária” - Lenine

“Sem ideologia revolucionária, não há movimento revolucionário” - Lenine

Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

EDIFER – NÃO PAGA, SOARES DA COSTA – DESPEDE, FDO – DESPEDE E NÃO PAGA


No Manifesto dos Cem Mil, já publicado neste jornal, os operários da construção civil e obras públicas denunciaram a manobra do patrão dos patrões do sector, um tal Ricardo António Pedrosa Gomes, presidente da FEPICOP (Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas), que, ao pedir ao governo a reestruturação do sector, pretendia apenas despedir cem mil trabalhadores, sem lhes pagar um cêntimo que fosse.

Ainda não respondeu o governo à pretensão da organização dos patrões do sector, e já as grandes empresas da construção civil e obras públicas põem em marcha o seu plano de não pagamento dos salários em dívida e de despedimento em massa, sem contrapartidas nem respeito pelos direitos adquiridos.

Assim, a presidente do conselho de Administração da Edifer, um dos potentados do sector, com os maiores lucros acumulados no último triénio (2008/2010), enviou uma carta a 900 dos seus trabalhadores, anunciando-lhes que não irá pagar os salários e subsídios devidos no mês de Dezembro passado.

A situação é, pois, esta: os operários trabalharam para a Edifer o ano inteiro; a Edifer não apresenta prejuízos no exercício de 2011 – mas, mesmo assim, acha-se no direito de roubar a 900 trabalhadores o trabalho que já prestaram e produziu riqueza, e os salários a que por isso têm direito.

Na área da construção e obras públicas, a coisa não fica por aqui: a Soares da Costa, terceira maior empresa do sector, avisou também que irá despedir de imediato 900 trabalhadores, embora nada tenha dito ainda sobre a questão de pagamentos em atraso.

Por seu turno a FDO, outra das grandes empresas do sector, informou já que não pagará os salários em atraso e que irá despedir trezentos trabalhadores.

Tudo isto se passa num sector em que as grandes empresas acumularam lucros gigantescos pelo menos até 2008, sector que, roubando trabalho já prestado pelos trabalhadores e roubando salários que nunca lhes pagou, conseguiu despedir nos últimos três anos 212 mil trabalhadores.

São esses despedimentos, depois do roubo do trabalho e do roubo de salários, que explicam o facto de mais de 25% da população portuguesa estar hoje ao nível da pobreza extrema e da indigência.

Tal é a imediata consequência do acordo de traição assinado pelo renegado João Proença da UGT no conselho permanente da concertação social, acordo que os comparsas do negócio designaram pelo eufemismo de “compromisso para o crescimento, competitividade e emprego” e que não é outra coisa senão um golpe-de-mão para despedir centenas de milhares de trabalhadores portugueses sem justa causa, sem salários e sem indemnização.

Os operários e trabalhadores da construção civil e obras públicas devem exigir aos seus sindicatos a organização da luta contra os despedimentos e o roubo do trabalho e de salários neste sector.

A greve geral nacional, que deve ser marcada para o próprio dia em que a Assembleia da República votar as alterações ao Código de Trabalho emergentes do acordo de traição assinado pela UGT de João Proença, é a correcta e imediata forma de luta a desencadear por um sector que está a ser liquidado em consequência da política do governo de traição PSD/CDS.

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