“Não haverá movimento revolucionário, sem ideologia revolucionária” - Lenine

“Sem ideologia revolucionária, não há movimento revolucionário” - Lenine

Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

O Imperialismo Ianque Prepara Intervenção na Síria


Hoje, já quase não restam dúvidas a ninguém quanto àquilo para que, há mais de um ano, vimos a alertar: que o chamado movimento popular de indignação no Próximo Oriente (norte de África, Síria e parte da península Arábica) não passou, nem passa, de uma manobra orquestrada pelo imperialismo americano contra os governos hostis ou não inteiramente controláveis sediados em Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egipto, Síria e Iémene, com vista ao domínio da zona e à preparação político-militar do ataque ao Irão e, de passagem, à liquidação do movimento palestiniano.

Mesmo para os mais incrédulos, agora já é fácil compreender que não só não surgiu nenhum regime democrático em nenhum dos países onde o imperialismo ianque organizou ou sustentou aqueles movimentos de pretensa indignação, como até sucedeu, sem excepção, que as ditaduras aí existentes foram sistematicamente substituídas por ditaduras militares directamente controladas pela CIA, e, por outro lado, não aconteceu nenhum movimento de indignação nos países submetidos a ditaduras reaccionárias medievais, amigas e aliadas do imperialismo, como sucedeu com os regimes dominantes na Arábia Saudita ou no Bahreim.

Em Portugal, com a inconcebível hesitação do PCP, mas com o compreensível apoio da esquerda oportunista de todo o PS e de todo o Bloco e da coligação PSD/CDS, aqueles movimentos de auto-proclamada indignação no Próximo Oriente, organizados e sustentados pela CIA, foram apresentados, defendidos e propagandeados como se de autênticas revoluções democráticas se tratassem.

Louçã, Amado, Passos Coelho e Paulo Portas, cada um por sua vez, consideraram todavia em uníssono que o que ocorria na Tunísia, no Egipto e na Líbia era o mesmo que ocorrera em Portugal com o 25 de Abril...

Que a direita e extrema-direita portuguesas, lacaias do imperialismo americano, se congratulem com as acções da CIA no Próximo Oriente, não se aceita mas compreende-se; agora que democratas e gente que se pretende de esquerda, como o PCP, o Bloco e o PS, rejubilem com os golpes-de-estado levados a cabo pela CIA é que é de bradar aos céus.

Em matéria de política externa, o governo português, qualquer que ele seja, rege-se pelos princípios que ficaram consagrados no artigo 7º da Constituição da República, entre os quais figura o princípio da não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados.

Para satisfazer a sua ânsia de lamber as botas ao imperialismo ianque, os sucessivos governos portugueses têm sistematicamente infringido aquele princípio da não ingerência nas insurgências verificadas no Próximo Oriente, mas nunca se viu que se manifestassem contra ditaduras medievais como as que imperam na Arábia Saudita, no Iraque ou nos emirados do Golfo arábico.

Relativamente à guerra civil fomentada pelo imperialismo americano na Síria, os EUA levaram o caso ao conselho de segurança da ONU, onde pretenderam aprovar uma resolução semelhante à que haviam aprovado contra a Líbia o ano passado, resolução que, muito embora não autorizasse nenhuma intervenção militar no país, mesmo assim serviu aos ianques e seus lacaios – com o apoio do governo português, do PS e do Bloco – para bombardearem, invadir e destruir a Líbia, pondo em marcha uma guerra civil que ninguém sabe quando chegará ao fim nem o que dela resultará.

Desta vez, a Rússia e a China vetaram a resolução americana no conselho de segurança da ONU contra a Síria.

 
Lacaios dos Estados Unidos como o governo português, com o Portas à cabeça, logo condenaram o veto sino-russo, muito embora não tenham condenado o veto americano para o reconhecimento da Palestina como Estado Independente e membro da Organização das Nações Unidas...

A secretária de Estado Hillary Clinton veio já propor a criação de uma coligação de países que, sob a direcção do imperialismo americano e servindo-se da NATO, façam na Síria o mesmo que fizeram na Líbia.

Vemos, pois, que para o imperialismo americano, a organização das nações unidas é boa, se nenhum país vetar no conselho de segurança as suas propostas belicistas, e é inaceitável se algum país as vetar.

Só que uma tal aventura na Síria, à semelhança do que aconteceu na última invasão do Iraque, terá consequências muito sérias para os países agressores, como também as teve no Iraque, que terminou com uma monumental derrota político-militar do imperialismo americano e seus lacaios.

O governo português, no respeito estrito pela Constituição da República, está impedido de apoiar – e deve opor-se frontalmente – o aventureirismo político-militar dos EUA na Síria.

E os comunistas portugueses não só devem denunciar e combater as manobras do imperialismo como devem exigir a saída imediata de Portugal da NATO, que vai ser o instrumento político-militar daquela agressão.

A NATO, que deveria ter sido dissolvida na mesma ocasião que foi dissolvida a organização militar do Pacto de Varsóvia, permanece como instrumento da agressão mundial dos EUA, conforme ocorreu com a invasão do Afeganistão, de onde aliás sairá em breve completamente derrotada.

Como todos sabemos, o imperialismo é a guerra, mas, unidos, os povos do mundo podem derrotar o imperialismo americano, que, no plano estratégico global, não passa de um tigre de papel, como há muito vimos dizendo e a realidade não se tem cansado de confirmar.




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