Torna-se cada vez mais evidente que esta dívida, para além de ilegítima, ilegal e odiosa, é IMPAGÁVEL! Apesar de todas as medidas terroristas e fascistas que este governo de traição tem imposto aos trabalhadores e ao povo português, no âmbito da “terceira avaliação” que os seus donos vieram fazer à aplicação do “memorando de entendimento” Gaspar Dixit foi obrigado a reconhecer que o desemprego tem tendência a aumentar e o deficit e a recessão a agravar.
O aparente caos de tais medidas terroristas impostas pela tróica germano-imperialista ao povo português, através dos seus muito fiéis serventuários do governo PSD/CDS, com o beneplácito do PS de Seguro, serve às mil maravilhas os objectivos da Sr.ª Merkel e do seu salta-pocinhas de estimação, Nicolas Sarkozy.
Senão, vejamos! A terceira “avaliação” que a tróica veio realizar ao que considera ser um protectorado ou colónia sua, Portugal, concluiu que o governo “está no bom caminho” quanto à aplicação do “memorando de entendimento”, elogiando, inclusive, o “largo consenso” que existe entre as forças políticas e sindicais e a “sociedade civil” quanto à necessidade da aplicação das supracitadas medidas terroristas.
O “detalhe” de ter havido um agravamento do desemprego – que se vai pronunciar ainda mais – que, em números reais atingiu uma taxa superior a 22% (mais de um milhão e duzentos mil desempregados), sendo que 35% são jovens, o “detalhe” de ser expectável uma contracção de 3,3% da nossa economia e o “detalhe” do nosso deficit que se estima vá ser de 3,5% em 2012, ultrapassar as mais optimistas previsões, tais detalhes não comprometeram minimamente a “libertação” de mais uma tranche de “financiamento” de 14,9 mil milhões de euros.
Deixemos de parte, por ora, a ridícula tese de Seguro quanto à “austeridade inteligente” que propugna. Vamos aos factos!
O que a tróica vem aplaudir é o facto de os seus serventuários do PSD/CDS, de braço dado com o arqui traidor Proença, dirigente da UGT, terem conseguido uma “reforma estrutural” de suma importância para a burguesia e o grande capital, consubstanciada no recente acordo da “concertação social”, reforma essa que constitui uma autêntica declaração de guerra aos trabalhadores e ao povo português e aprofunda e “legitima” o roubo dos salários e do trabalho que este governo tem praticado, sem que o Tribunal Constitucional se debruce sobre a ilegalidade e inconstitucionalidade dessas medidas.
O que a tróica veio aplaudir foi a política de redução de salários, embaratecimento dos despedimentos e redução do montante e do tempo do subsídio de desemprego. Todas elas medidas destinadas a criar, por um lado, um exército de desempregados que funcione como elemento de pressão e chantagem sobre os trabalhadores no activo, que os leve a aceitar a redução dos seus salários e o prolongar da carga horária de trabalho e, por outro, em nome da famigerada “produtividade”, fazer de Portugal o paraíso do trabalho baratinho, intensivo e pouco qualificado que proporcione aos países industrializados, à cabeça dos quais a Alemanha, um fonte de acumulação de riqueza e lucro ainda maiores.
O que a tróica germano-imperialista veio aplaudir foi a política deste governo de traição quanto às privatizações, política essencial para a transferência de activos e empresas estratégicas públicas, a preços de saldo, para as mãos dos grandes grupos financeiros e bancários, sobretudo alemães.
Os 30 dinheiros que premeiam a traição, a tal tranche de 14,9 mil milhões de euros, destinados a financiar o pagamento de uma dívida que querem que seja o povo a pagar, quando não foi ele que a contraiu, nem ela foi contraída para seu benefício, tem como destino, uma vez mais, o pagamento de juros dos empréstimos já vencidos ou a vencer, o “serviço da dívida”, e os cofres dos bancos privados para assegurarem um plano de crédito às pequenas e médias empresas, do qual vão beneficiar de lucros faraónicos.
Cada vez é mais claro para os trabalhadores e o povo português que os principais beneficiários de tais “empréstimos” são, apenas e tão só, o FMI, o BCE e os grandes grupos económicos e financeiros, com os alemães à cabeça, que aquelas organizações servem.
O que esta terceira “avaliação” da tróica germano-imperialista vem demonstrar é que não existe outra saída para a classe operária, os trabalhadores e o povo português que não seja o derrube deste governo de traição, com a subsequente expulsão da tróica de Portugal, e a constituição de um governo, com base numa ampla unidade de todas as camadas populares, que ponha em prática um programa democrático patriótico, cuja primeira medida será a da recusa desta dívida odiosa.
Ao contrário do que afirma a tróica, a legitimidade eleitoral do governo PSD/CDS está há muito esfrangalhada e a “oposição violenta…mas construtiva” do PS de Seguro e o seu programa de “austeridade inteligente” completamente isolados.
Os operários, os trabalhadores e o povo português têm vindo a demonstrar um crescendo de consciência, combatividade e disposição para a luta contra as medidas terroristas e fascistas que este governo tem vindo a aplicar, ao serviço desta tróica, e vão aproveitar a Greve Geral Nacional do próximo dia 22 de Março para melhor clarificar que o seu objectivo político imediato passa pelo derrube deste governo de traição.


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