“Não haverá movimento revolucionário, sem ideologia revolucionária” - Lenine

“Sem ideologia revolucionária, não há movimento revolucionário” - Lenine

Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012

OPERÁRIOS MORTOS EM SETÚBAL


No seguimento de uma primeira denúncia feita neste jornal, ainda em cima do acontecimento, recebemos um comunicado da organização do PCTP/MRPP de Setúbal a tomar posição sobre o crime em que se traduziu a morte de cinco operários no mercado do Livramento, em Setúbal.

Desse texto – que será publicado na íntegra na edição impressa do Luta Popular – destacamos as seguintes passagens mais significativas:

(Os cinco operários) Morreram ou foram mortos?
A nossa resposta é só uma e é igual à de todos os operários e trabalhadores portugueses: não morreram; foram mortos, cobardemente assassinados, pela falta de vigilância das autoridades e pelas condições de exploração e opressão sub-humanas em que o patronato os obrigava a ganhar a vida, ou seja e como se vê, a ganhar a morte.

Onde estava a ACT, a Autoridade para as Condições do Trabalho, que não só não fiscalizou nem estava a fiscalizar as condições da prestação de trabalho na obra, como teve o desplante provocatório de acorrer pressurosamente com quatro inspectores ao local do assassinato, logo que teve conhecimento das mortes e quando, agora, já era manifestamente tarde para as poder ter evitado?

Onde estava a câmara municipal de Setúbal, que também não tinha ninguém em fiscalização permanente da obra, e cuja presidente, Maria das Dores Meira, nas declarações tomadas pelos órgãos de comunicação social, designadamente pela televisão, lamentou as mortes, é certo, mas nem por isso deixou de lastimar, também e ao mesmo tempo, a perda do painel de azulejos de Pedro Pinto incrustado na parede desabada, como se a autarca pudesse lastimar a perda de um painel de azulejos, quando as famílias choravam a morte dos seus homens?

Onde estava o patrão, a empresa ABB-Alexandre Barbosa Borges, S.A., que não tinha no local nenhum técnico com o mínimo de habilitações e competência para dirigir e assumir as devidas responsabilidades pela segurança dos trabalhadores na execução da obra?

Onde estava o presidente da Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas (FEPICOP), o lacaio Ricardo António Pedroso Gomes, que, há menos de duas semanas pediu ao seu primeiro-ministro Pedro Coelho que declarasse a construção civil e obras públicas como sector em reestruturação, para o fim de poder despedir ainda este ano, de imediato, sem demoras e sem custos, um total de 100.000 (cem mil) trabalhadores, entre os quais teremos de contar os cinco operários ontem assassinados em Setúbal, para juntar aos 200.000 (duzentos mil) já despedidos nos últimos dois anos?

E onde estava Passos Coelho, tão lesto a apresentar condolências à família dos assassinados, ele que é verdadeiramente o primeiro e principal responsável por estas mortes, porque é unicamente em consequência da política do governo de traição nacional PSD/CDS, uma política que confiscou aos operários todos os seus direitos, de par com o roubo de salários e do trabalho, e que deu o sinal ao patronato, às câmaras e às autoridades de que o operário é um ser abaixo de homem, que pode ser explorado, oprimido e tratado como um cão, porque é unicamente em consequência dessa política que ocorreu o assassinato dos trabalhadores?

 
Os operários assassinados pela falta de condições de segurança no trabalho eram todos residentes no Norte de Portugal, e em Setúbal dormiam em contentores do patrão, sem quaisquer condições de higiene e de repouso.
            É evidente que como consequência da política do governo PSD/CDS, que é aliás a política da tróica e a política do acordo de concertação social assinado pela UGT de João Proença, o número de assassinatos de trabalhadores no trabalho será este ano maior do que no ano de 2001, onde foi noticiada a ocorrência de 280 mortos no trabalho.
            Saudemos de punho erguido os camaradas que o governo e o patronato assassinaram na obra do mercado do Livramento, porque nunca os esqueceremos, como nunca se esquecerão os companheiros caídos nesta guerra contra o capitalismo explorador e opressor!
Em nome deles, cai sobre nós o dever de continuar e intensificar a luta contra o governo de traição nacional PSD/CDS, até o seu derrubamento total.

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