Mais de 1700 pessoas já assinaram a petição online contra a construção de um silo automóvel de três andares no Largo do Corpo Santo, junto à Avenida Ribeira das Naus, em Lisboa. Até às 20h de ontem, a iniciativa de um grupo de moradores da Baixa lisboeta reunia 1785 assinaturas.
Os moradores consideram que o silo - solução avançada pela câmara para substituir o estacionamento subterrâneo inicialmente projectado para a zona, devido aos custos associados - vai criar "uma enorme barreira visual entre a cidade e o rio e descaracterizar" aquela zona da cidade. "A localização de Lisboa junto ao lago formado pelo Tejo confere-lhe um carácter único e pouco aproveitado por lisboetas e turistas, afastados do rio por linhas de comboio, docas e contentores", lê-se na petição.
Mais adiante afirma-se que a recuperação da Ribeira das Naus era "um passo na direcção certa", juntamente com a criação de zonas pedonais junto ao rio e jardins, os subscritores dizem que foram surpreendidos com o projecto do silo automóvel. "E não se trata de uma construção térrea, discreta, que se possa perder entre os edifícios circundantes, mas antes um silo de três andares, que irá constituir uma enorme barreira visual entre a cidade e o rio", afirmam.
Os moradores adiantam ainda criticando que se possa construir "um edifício com aquela volumetria" numa zona onde "ninguém pode sequer alterar uma janela". Defendem também que o "já insuportável" trânsito na Rua do Arsenal "irá ser ainda mais agravado com as viaturas que venham a utilizar o futuro parque" e que aquela zona é uma das "melhor servidas por transportes públicos", pelo que não se justifica o investimento no transporte privado.
Na reunião camarária de 25 de Janeiro, o presidente da câmara, António Costa, mostrou-se disponível para discutir outras formas de estacionamento na Avenida Ribeira das Naus. "Vamos trazer as diferentes hipóteses para a câmara estudar. Podemos escolher não fazer estacionamento nenhum, ou apenas o essencial", disse…estas afirmações foram só proferidas depois deste levantamento de protesto por parte dos moradores e dos cidadãos desta cidade. É bom referir, para os mais distraídos de que o projecto aprovado pela ex-Frente Tejo, não estava previsto nenhum silo.
Esta política é contrária ao desenvolvimento do transporte público, contrária ao desenvolvimento harmonioso de uma cidade que emperra sempre na pretensa solução ou quase sempre com o transporte particular. Também importante denunciar o abandono por parte da autarquia de Lisboa desta zona histórica, deixando que uma grande parte dos edifícios esteja há décadas a degradar-se continuamente e aceleradamente.

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