“Não haverá movimento revolucionário, sem ideologia revolucionária” - Lenine

“Sem ideologia revolucionária, não há movimento revolucionário” - Lenine

Sábado, 4 de Fevereiro de 2012

Poupar no quê, senhor dos Passos?

Em entrevista ao jornal SOL, o primeiro-ministro do governo de traição PSD/CDS, revela em três pérolas discursivas o seu “pensamento” político e como entende que Portugal poderá sair da crise em que se vê mergulhado:

A primeira das pérolas: “Uma sociedade que está permanentemente a endividar-se não pode crescer”. Um trabalhador, um elemento do povo, menos atento às consequências que as medidas terroristas que este governo lhes está a impor, poderia ficar confundido com tal declaração.

Então, questionar-se-ia, quando os sucessivos governos PS e PSD – sobretudo os dirigidos pelo actual “mendigo” de Belém, Cavaco Silva, o outrora “rei do betão” – por imposição do imperialismo germânico e da Comunidade Europeia por ele manipulada, destruíram a nossa agricultura e desindustrializaram o nosso país, não se sabia que iriamos ficar de tal forma dependentes da indústria alemã, da agricultura francesa e do pescado fornecido pelos espanhóis, que hoje teríamos de importar mais de 80% daquilo que necessitamos para viver e gerar economia?

Então não se vislumbrava, à época, que a destruição do nosso tecido produtivo iria ter como consequência que, para importarmos a este ritmo de progressivo défice da nossa balança de pagamentos (resultante do saldo entre exportações e importações), o ciclo de endividamento seria, também ele, crescente e incontornável?

E, o que fez a Justiça, previamente manietada e manipulada por um conjunto de leis aprovadas por PS, PSD e CDS, para assegurarem, objectivamente, o favorecimento da corrupção decorrente dos colossais desvios de “fundos” que a UE fez chegar a Portugal, não para modernizar a nossa indústria e pescas, não para mecanizar as explorações agrícolas, mas precisamente para as destruir? Que fez essa Justiça para perseguir, julgar e condenar todos aqueles que, de forma ilícita, enriqueceram à custa das trafulhices jurídico políticas que representam, ainda hoje, as PPP’s e as empresas públicas com gestão privada?

A segunda das pérolas: “Só é possível financiar crescimento com poupança”! Não fosse a miséria, a fome, o desemprego e a precariedade a que os trabalhadores e o povo português têm estado a ser condenados, mercê das medidas terroristas que este governo de traição PSD/CDS, com o beneplácito do PS, todos eles sob a batuta da tróica germano-imperialista, têm estado a impor, seria caso para rir!

Poupar o quê? Com o roubo do trabalho e dos salários, com os sucessivos aumentos de bens e serviços, quer pela alteração sucessiva dos tarifários de serviços públicos que vão da saúde à educação, passando pela água, luz e gás, até aos transportes, quer pelo aumento do IVA para produtos e bens de primeira necessidade, da taxa mínima e média para a taxa mais elevada, resta o quê para poupar, senhor dos Passos?

Acresce que esta declaração decorre de uma perfeita hipocrisia da parte de Passos Coelho. É que ele sabe que esta dívida é IMPAGÁVEL, pois estando o país mergulhado numa profunda recessão – própria de qualquer sistema capitalista -, por virtude das políticas prosseguidas há décadas pelos sucessivos governos PS e PSD, por vezes acolitados pelo CDS, é impossível pagar esta dívida e os juros dela decorrentes.

Qualquer economista, mesmo burguês, sabe que para se pagarem juros a taxas de 5 ou 6%, a economia teria de crescer, no mínimo, a uma taxa idêntica.

A terceira pérola: “Pobres já nós estamos…há pessoas que ainda não se deram conta disso e continuam a viver como se não fossem pobres!”. Isto é, uma versão reciclada da famosa teoria de que “vivemos acima das nossas possibilidades”! Ainda a bater nessa tecla?! Arre porra que a demência não tem cura!

Caso para perguntar ao sabujo que produz estas afirmações se ele se está a referir aos 3 milhões de pobres a viver abaixo do limiar da pobreza, ou se está a referir aos trabalhadores e precários que vêem ser-lhes roubados, todos os dias, os seus parcos salários, do mesmo modo que lhes vêm ser aumentado o tempo de trabalho.

Não há volta a dar! Esta é uma dívida que não foi contraída pelos trabalhadores e pelo povo, nem foi contraída para seu benefício. Lutar, com firmeza e denodo, com organização, pela consignia de NÃO PAGAMOS! não é uma figura de estilo demagógica como as “pérolas” discursivas de Passos Coelho.

Claro que tal conquista só poderá advir com o derrube deste governo de traição PSD/CDS (não esquecendo, por arrasto, de dar um pontapé no “mendigo” de Belém), da expulsão da tróica germano-imperialista do nosso país, e da imposição de um Governo de unidade de todas as forças populares, de esquerda, democrático patriótico, que, para além da recusa do pagamento desta dívida ilegítima, ilegal e odiosa, ponha em prática um novo paradigma de economia e de política ao serviço dos trabalhadores e do povo português.


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