“Não haverá movimento revolucionário, sem ideologia revolucionária” - Lenine

“Sem ideologia revolucionária, não há movimento revolucionário” - Lenine

Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012

Procuradores à Venda...


Até há quem lhes chame magistrados, como ainda sucede com algumas leis em vigor. O que quer que sejam, os agentes do Ministério Público são, inquestionavelmente e de acordo com contínuas e sucessivas sondagens mensais, os profissionais em quem o povo português menos confia, quase tanto como não confia nos juízes, e menos ainda do que confia num vendedor de automóveis em segunda mão.

Acontece que um desses agentes do Ministério Público, o procurador Orlando Figueira, um quadro especializado em criminalidade complexa e organizada e que há muitos anos prestava serviço no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), único órgão do Ministério Público directamente dependente do Procurador-Geral da República, meteu licença sem vencimento das funções que exercia em Portugal e foi trabalhar para Angola, ao que diz a imprensa, para um Banco do presidente Eduardo dos Santos – o BIC –, aliás com interesses em Portugal, pois comprou o Banco Português de Negócios – BPN – dos amigos do Cavaco.
           
À primeira vista, poder-se-ia talvez dizer que o homem, apesar de ter em Portugal um emprego bem pago, resolveu seguir os conselhos do primeiro-ministro e dos nossos centros de emprego... e emigrou.

A coisa, porém, começou a suscitar fundadas e escandalosas suspeitas, quando se soube que o procurador desertor tinha estado ligado, como titular responsável, a vários processos criminais relacionados com Angola!...

Entre os referidos inquéritos, estão dois que envolvem o presidente do Banco Espírito Santo, o BES-Angola, um tal Álvaro Sobrinho, que foi interrogado e constituído arguido em Novembro passado, num caso de burla denunciado pelas autoridades angolanas.

O Álvaro Sobrinho viu ser-lhe arrestadas contas bancárias no montante de mais de 18 milhões de euros e diversos apartamentos no Estoril e foi-lhe arbitrada, por proposta do Ministério Público, uma caução de 500.000 euros.

Autoridades angolanas que, decerto reconhecidas, contrataram o procurador, para arredondar com uma boa pipa de massa a sua situação financeira.

O homem abriu a boca e mordeu a posta – olarila!

Se isto não é corrupção, bem parece.

E a um procurador da República Portuguesa, tal como à mulher de César, não bastará ser sério: tem também de parecê-lo.

Quem saberá se a contratação angolana do procurador Orlando Figueira não terá funcionado, para as grandes empresas do espaço lusófono, como a abertura da época da caça ao agente disponível.
           
Já viram o Godinho e os arguidos do caso Face Oculta a empregarem cada um deles o seu procuradorzinho?!...

E o que diz a isto o Procurador-Geral da República? E o Conselho Superior do Ministério Público? E esse famoso sindicato do Cluny e do Palma? Calam-se?!... Será que estará tudo também à espera de uma posta de Angola?!

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