“Não haverá movimento revolucionário, sem ideologia revolucionária” - Lenine

“Sem ideologia revolucionária, não há movimento revolucionário” - Lenine

Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012

SONDAGENS: UMA VEZ E SEM EXEMPLO...


Os comunistas não se deixam levar por sondagens, pois sabem muito bem que esses expedientes sociométricos têm essencialmente por fim enganar o povo trabalhador.

Mesmo assim, não devem deixar de olhar esses números, quando eles nos saltam ao caminho, e de interpretá-los de acordo com os nossos interesses de classe.

O Centro de Sondagens da Universidade Católica lançou um inquérito com vista a surpreender a avaliação que os inquiridos faziam da imagem do governo e da imagem da oposição, quanto aos respectivos desempenhos.

Nós não precisamos de sondagens para saber que a esmagadora maioria dos nossos operários e trabalhadores odeia o governo.

Mas podemos extrair uma boa lição das sondagens, quando sabemos que os inquéritos têm uma natureza inter-classista, dirigindo-se a todas as classes e camadas sociais e não apenas aos operários e trabalhadores, ainda que a Universidade Católica oculte, ao contrário do que lhe aconselhariam o Sermão da Montanha e o Evangelho Segundo Mateus, as proporções de classe no universo dos seus inquiridos.

Ora, numa sondagem feita a operários, trabalhadores, funcionários, doutores e grandes burgueses, tudo em proporções desconhecidas, que ideia terá essa amálgama do desempenho do actual governo?

62% acha que o governo é mau ou muito mau;
e 29% acha que o governo é bom ou muito bom.

Passando a coisa a limpo, o governo de traição nacional Coelho/Portas é mau ou muito mau para dois terços da população portuguesa e bom ou muito bom para menos de um terço dessa população.

Seis milhões e duzentos mil portugueses odeiam o governo, e apenas dois milhões e novecentos mil gostará dele.

É cada vez maior o isolamento do governo PSD/CDS, que está no poder apenas há oito meses.

E, na dita sondagem, que respondem os inquiridos à possibilidade da Oposição como alternativa?

Respondem pessimamente: 73% entende que nenhum partido da Oposição faria melhor do que o actual governo, se estivesse a governar no lugar dele. Apenas 14% acha que a Oposição faria melhor.

O desequilíbrio entre o número de inquiridos que condena o governo actual e o número de inquiridos que escolhe para governar um partido da Oposição mostra que a parte dos operários e trabalhadores no universo da sondagem é mínima e que a maioria dos inquiridos pertence à classe média.

Mesmo assim, devemos levar muito a peito esta descrença de 3/4 dos inquiridos nas capacidades governativas da Oposição. Isto representa um real entrave ao derrubamento do governo de traição nacional PSD/CDS e à constituição de um governo democrático patriótico.

A seu modo, a sondagem mostra que os patrões já não podem governar, mas que os operários ainda não o podem fazer.

A tarefa que esta sondagem nos sugere é simples: temos de definir com rigor o programa político geral do governo democrático patriótico e mobilizar todas as massas democráticas e populares para a compreensão e aceitação desse programa.

Vamos a isso!

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